DOCUMENTOS

Plano Doxiadis - Guanabara, a plan for urban development - Document-Dox-BRA
DRIENDL, Tomas Georg
PLANO URBANÍSTICO - 1965 - Rio de Janeiro - Rio de Janeiro

Biblioteca: Secretaria Municipal de Urbanismo da Cidade do Rio de Janeiro - SMU - arquivo
Editora: Estado da Guanabara
Volume: I -
Cidade Objeto: Rio de Janeiro - Rio de Janeiro

Descrição e Resumo

Trata-se de plano elaborado por solicitação do governo do Estado da Guanabara (Governador Carlos Lacerda) para a cidade/estado do Rio de Janeiro, cujo objetivo é prepará-la para o ano 2000.
O segundo plano diretor para a cidade, à época Estado da Guanabara, é entregue em 1965, de autoria do escritório grego "Doxiadis Associates". Denomina-se um plano de desenvolvimento, enfocando todos os problemas da cidade, fazendo uso da teoria Eqüística desenvolvida pelo autor e de técnicas para projeções e análise de transportes. Na sua abordagem da cidade, já considera o seu entorno, a Área Metropolitana.
Expressos no plano estão vários conceitos de Doxiadis, no que se refere a planejamento e onde é possível identificar a preocupação com o econômico e o social, sendo contudo consideradas confiáveis no nível do plano as intervenções físicas.
Doxiadis cria um centro de pesquisas sobre urbanismo em Atenas, onde desenvolve a sua teoria Eqüística. Essa teoria, centrada nos grupamentos humanos, estuda "seus aspectos físicos, sociais, econômicos e demográficos, ou seja, o habitat, natural dos grupamentos, suas populações, nível econômico, estrutura social e comercial, padrões de uso da terra, distribuição de edifícios de uso comum e instalações, rede de transportes e de serviços de utilidade pública".
O objetivo de planejamento físico, segundo o plano, é a criação de comunidades, que funcionem na escala humana e se aglutinem para alcançar as mais favoráveis condições de desenvolvimento. A finalidade é criar grupamentos humanos aglutinados e bairros dotados de suas próprias finalidades básicas. Pontos de reunião, lojas, instalações públicas, tudo deve ser hierarquicamente projetado para os diferentes tamanhos de comunidades interdependentes. Uma hierarquia de funções deve ser definida, segundo o plano, de modo que as cidades sejam planejadas de maneira racional, da menor à maior das comunidades.
Como conseqüência, o plano abre um elenco de alternativas (análise e diagnóstico), considerando fatores econômicos e sociais ao estudar o Estado da Guanabara em macro, meso e microescala. Suas proposições vão contudo configurar um plano físico territorial.
Justifica, afirmando que alguns dos problemas de desenvolvimento econômico do Estado da Guanabara podem ser devidos a uma obsolescência relativa ou parcial de sua estrutura física, já que nenhum plano global foi executado na tentativa de preparar o terreno para expansão futura.
São visadas duas finalidades principais: primeiro, criar a necessária infra-estrutura física, que possibilite o desenvolvimento do estado e segundo, resolver problemas urgentes dentro do atual tecido urbano, sem violentar indevidamente a qualidade, a beleza, o encanto e o caráter da cidade.
A metodologia usada pelo plano Doxiadis segue a metodologia típica dos planos diretores, de forma mais elaborada. O plano contém uma análise das condições da cidade, segundo a teoria Eqüística examina os problemas mais graves que impedem o desenvolvimento urbano e sua expansão, define políticas, estima necessidades em função de projeções feitas para o ano 2000, definindo programas e projetos.
Trata-se de comparar a cidade com um modelo ideal, nesse caso estruturado em comunidades integradas hierarquicamente e, a seguir, definir os meios de se chegar até esse modelo pré-definido. O recurso novo é o uso de projeções de variáveis sócio-econômicas e técnicas sofisticadas de análise do sistema viário.
Na introdução é apresentado o plano, sob o aspecto organizacional e metodológico. Sob o título Condições Eqüísticas, a cidade é estudada no seu aspecto histórico, geográfico e econômico.
A seguir, são identificados os Problemas, que se apresentam diante da análise das condições eqüísticas, ou melhor, do modelo proposto. Sob o título Necessidades e Custos é efetuada a estimativa das necessidades para o desenvolvimento adequado da cidade, sua projeção a longo prazo, até o ano 2000.
São, então, considerados os planos, em que se apresenta uma orientação para o desenvolvimento físico do Estado, até o ano 2000. São mostradas as várias fases do crescimento previsto da população, seu uso do espaço, ou seja, o plano diretor. A seguir, são apresentados os programas qüinqüenais para o período de 35 anos até o ano 2000, que deverão ser revistos a cada cinco anos.
Finalmente, no capítulo destinado à implementação, são estudados os recursos de ordem administrativa, organizacional, legislativa e de pessoal necessários à execução do plano. Nesse capítulo é também proposta a criação de uma Secretaria de Desenvolvimento Urbano, responsável pela sua implementação.
A divisão da área de estudo em comunidades, descentralizando funções e hierarquizando-as, constitui o grande instrumento do plano. Dentro de uma hierarquia, são definidas comunidades classe I, com 10 a 15 famílias até comunidades classe IX, megalópole.
A comunidade classe IX, a megalópole, é uma série de aglomerações urbanas abrangendo grandes áreas. Sua principal característica é sua grande extensão. Em termos de população é da ordem de dezenas de milhões de pessoas.
O plano visa criar condições para que a cidade do Rio de Janeiro possa atender a sua população prevista para o ano 2000 de 8,4 milhões de habitantes. A área metropolitana no ano 2000 deve ser uma conurbação semelhante à uma comunidade classe VIII. Essa comunidade é subdividida em seis comunidades classe VII, duas das quais dentro do Estado da Guanabara, uma a leste, outra a oeste. A população de cada umas delas é estimada em 2,5 a 4,5 milhões de habitantes, embora as duas comunidades internas aos limites do Estado da Guanabara devam se apresentar mais densas que as demais.
A questão habitacional é tratada no plano de maneira extremamente técnica. Um dos produtos é a quantificação das necessidades em termos habitacionais até o ano 2000, e o custo dessas necessidades para os grupos de mais baixa renda, que deverão ser objeto de atenção do poder público.
Como política para favelas, o Plano propõe a reurbanização e reabilitação de algumas, nos próprios locais que ocupam à época, desde que não acarrete incompatibilidades com os objetivos do plano.
O saneamento básico é abordado, tendo em vista a quantificação das necessidades até o ano 2000, relacionado à população estimada para aquele ano e seus respectivos custos. O Plano Doxiadis enfoca o tema saneamento básico de forma global, integrando a cidade em torno dele, sem privilegiar locais determinados. Ao estabelecer as necessidades, de forma técnica e numérica, se orienta pela população prevista para o ano limite, sem estabelecer prioridades.
A parte mais técnica é a relativa ao sistema viário. Aqui, além da forma como o plano aborda os demais temas, levando problemas e quantificando necessidades e custos, é elaborado um estudo de transporte, com base em modelos matemáticos, objetivando a determinação do comportamento futuro do sistema.
Para o plano, a solução reside na rede de vias propostas, isto é, a malha hierarquizada, segundo a qual o Estado da Guanabara deve se adequar, da mesma forma que deve se adaptar ao modelo estrutural dividido em comunidades.
O sistema radial que converge para o centro é transformado num sistema xadrez, reticular, composto de artérias norte–sul e leste–oeste, que se propõe a afastar da área central um considerável volume de tráfego. Esse sistema está intimamente ligado às comunidades hierarquizadas, conectando-as, limitando-as, ou constituindo ligações internas.
Em relação ao sistema ferroviário, o plano alerta para o fato de que o transporte de carga, que constitui um dos melhores desempenhos de qualquer sistema ferroviário, aqui não é levado em consideração.
O plano propõe, ainda, quatro conexões sobre a Baía de Guanabara, ligando as comunidades dentro do Estado da Guanabara com as do Estado do Rio, sendo que uma delas, a mais próxima da Área Central de Negócios, deve se dar sob forma de túnel sobre a baía. Biblioteca:
ABREU, Maurício. Evolução urbana do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Instituto de Planejamento Municipal, 1987.
DOXIADIS. Guanabara, um plano para o desenvolvimento urbano (Plano Doxiadis), tradução CEPE 1, Secretaria de Governo, 1967. Vol. I, II, III.
DOXIADIS Associates, Consultants on Development and Ekistic. Guanabara Urban Development Plan, Rio de Janeiro, Cedug, 1965.
REZENDE, Vera. Planejamento e ideologia: quatro planos para a Cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1982.





Proposta para Copacabana, Plano Doxiadis, 1965. Fonte: Associates, Consultants on Development and Ekistic. Guanabara Urban Development Plan, Rio de Janeiro, Cedug, 1965.

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