DOCUMENTOS

Plano Agache - Plano de Remodelação, Extensão e Embelezamento
AGACHE, Alfred Hubert Donat
PLANO URBANÍSTICO - 1930 - Rio de Janeiro - Rio de Janeiro

Biblioteca: Secretaria Municipal de Urbanismo da Cidade do Rio de Janeiro - SMU - arquivo
Editora: Ed. Foyer Brézilien
Volume: I -
Paginas: 426
Cidade Objeto: Rio de Janeiro - Rio de Janeiro

Descrição e Resumo

Alfred Hubert Donat Agache, arquiteto francês, elabora, junto com um grupo de técnicos estrangeiros, o primeiro plano diretor para a cidade, durante o período de 1927 a 1930. A cidade, então Distrito Federal, capital da República, é abordada de forma global, embora as atenções maiores fiquem com a Área Central. Volta-se especialmente para aspectos ligados à estética e ao saneamento, denominando-se um plano de remodelação, extensão e embelezamento.
Não se propõe a ser um plano de desenvolvimento, mas somente um plano físico territorial. Para tanto, é interessante observarmos de que forma o autor conceitua o urbanismo: "é uma ciência, e uma arte e sobretudo uma filosofia social. Entende-se por urbanismo, o conjunto de regras aplicadas ao melhoramento das edificações, do arruamento, da circulação e do descongestionamento das artérias públicas. É a remodelação, a extensão e o embelezamento de uma cidade, levados a efeito, mediante um estudo metódico da geografia humana e da topografia urbana sem descurar as soluções financeiras".
O plano apresenta a comparação da aglomeração urbana a um organismo vivo: "Nenhuma imagem poderia representar melhor a constituição e a vida das cidades. Essas nascem, crescem, vivem e como os seres animais, enfraquecem e morrem". É necessário, portanto, segundo o autor, que seus órgãos estejam em estado de exercer as funções que lhes são próprias. Enfoca as três funções: circulação, digestão e respiração.
A estética merece destaque especial. A ênfase dada ao embelezamento é observada em vários capítulos. O Plano Agache é um típico plano diretor, quando produz um retrato das condições futuras da cidade e o compara com a cidade ideal, que será obtida através de suas proposições.
Vários objetivos se encontram expressos no plano. É evidenciada a sua intenção de ordenamento da cidade, usando para isso especialmente o zoneamento (zoning), e também a legislação urbanística.
O plano apresenta para a cidade do Rio de Janeiro duas funções, que considera primordiais: função político-administrativa como capital e função econômica como porto e mercado comercial e industrial.
A metodologia usada na elaboração é a dos planos diretores. A situação da cidade é analisada, são identificados problemas e detectadas defasagens em relação a um modelo de cidade proposto pelo autor do plano e são feitas proposições, a respeito de como tal modelo pode ser atingido.
É dividido em três partes: Componentes Antropogeográficos do Distrito Federal, O Rio de Janeiro Maior e Os Grandes Problemas Sanitários. Em anexo ao plano são apresentados projetos de legislação com o objetivo de regulamentar as proposições do autor.
A segunda parte trata realmente da essência do plano, o modelo de cidade ideal e proposições para atingi-la. A terceira parte do plano é dedicada ao saneamento.
O principal instrumento de intervenção adotado é o zoneamento, muito utilizado à época. Segundo o autor, constitui uma tentativa de impor uma ordem às cidades, visando evitar o caos, que se estabeleceria, caso o crescimento das cidades fosse deixado à livre iniciativa.
É idéia geral do plano que a grande cidade necessita de várias tipologias habitacionais, sendo que o zoneamento, a construção de habitações populares e uma política territorial bem conduzida irão ajudar a resolver os problemas habitacionais.
A favela para Agache é uma escolha. A solução é a construção de habitações a preços baixos ou totalmente subvencionadas pelo estado.
O Plano Agache destaca em importância o tema saneamento, que constitui um terço do seu volume. Ao contrário do tema habitação, em que o plano o aborda à distância, o saneamento é encarado de forma técnica e com a profundidade necessária.
Para os assuntos ligados a saneamento básico, água, esgoto e drenagem, apresenta um enfoque global da cidade. Não determina áreas onde deveriam acontecer, prioritariamente, as obras de saneamento, e portanto não discrimina ou privilegia partes do espaço urbano.
O plano aborda o sistema viário da mesma forma que o saneamento básico, com o objetivo de aumentar sua eficiência. Aqui, no entanto, um outro fator é levado em conta, já que algumas das soluções propostas atendem, também, aos objetivos de ordem estética. São então, na medida do possível, aliados os valores de funcionalidade e embelezamento.
As proposições do plano, ainda que tenham por objetivo solucionar a cidade em geral, se tornam mais detalhadas quando abordam a Área Central da Cidade.
O sistema viário é tratado no plano como a ossatura do plano diretor. Dentro de uma visão orgânica da cidade, constitui uma das funções principais: a circulação. Os conjuntos de vias vão conectar os elementos funcionais, os bairros e zonas de usos diversos.
O sistema de transporte já é visto pelo autor como um sistema integrado, e sua reformulação é explicada pela necessidade de suprimir a maior parte dos bondes, que saturam a cidade, de encontrar artérias principais, que entrem até o centro da mesma, de criação de vias de comunicação entre bairros e de construção de uma rede de metropolitano.
Dentro do plano, o sistema ferroviário desempenha um papel importante, servindo especialmente à zona industrial e os subúrbios. É proposta uma reorganização do sistema, aliviando alguns trechos pela construção de outros. A navegação rápida na baía, por meio de lanchas e a utilização de hidroplanos é também proposta com o objetivo de ligar a cidade do Rio de Janeiro a Niterói. Fontes:
ABREU, Maurício. Evolução urbana do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro : Instituto de Planejamento Municipal, 1987.
AGACHE, Alfred. Ed. Foyer Brésilien. Cidade do Rio de Janeiro, remodelação, extensão e embelezamento (Plano Agache), 1930.
PEREIRA, Margareth da Silva. Pensar a metrópole moderna - os planos de Agache e Le Corbusier. 1944. (mimeo)
PITANGA, Antônio F. de. O plagio do urbanismo do Sr. Agache. Revista da Semana, Rio de Janeiro, 1928.
REVISTA Municipal de Engenharia. Plano de remodelação, extensão e embelezamento da cidade do Rio de Janeiro. 1933/1935.
REZENDE, Vera. Planejamento e ideologia: quatro planos para a Cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1982.



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Cidade do Rio de Janeiro. Remodelação, extensão e embelezamento
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Elementos Funcionais do Plano Diretor (Transcrito do Livro do Arq. Alfred Agache sobre o Plano de Remodelação da Cidade do R.J.)
Ossatura do Plano Diretor (Transcrito do livro do Arq. Alfred Agache sobre o Plano de Remodelação da Cidade do R.J.
Cidade do Rio de Janeiro - Remodelação, Extensão e Embelezamento. (Plano Agache)
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